Um ​desastre​ Brilhante!

​A epopéia de um esquizofrênico     e suas poucas e boas...

 

Como ser dinâmico nas respostas sem sofrer dano nas perguntas?

Logo de cara, pra quem não entendeu o título, vou explicar o que é o dinamismo de um sistema à luz da ciência. A gente vai tratar esse sistema como um sistema de informação, em que existe um emissor de informação e um receptor de informação - para simplificar, pessoas conversando. Isso configura um sistema porque  são dois elementos interconectados, partes de um todo organizado.

​Sistemas dinâmicos são sistemas fora do equilíbrio, caracterizado por estados que mudam com o tempo. Um sistema de informação dinâmico, então, podemos dizer que são pessoas que não pré-estabelecem exatamente sobre o que estão conversando. Alguém pode dizer que o assunto já está dito nas palavras que os interlocutores proferem. É válido dizer isso, tem lógica. Será? Vamos ver.

Algumas perguntas a respeito da última afirmação. Hoje o mundo que nos cerca tende a se enquadrar mais em um mundo objetivo ou em um mundo subjetivo? Porque que cada palavra que pronunciamos precisam estar enquadradas em um assunto, se é sempre mais de uma pessoa a interagir na conversa? Onde se encaixa na afirmação de que o assunto já está dito nas palavras que os interlocutores proferem a possibilidade da conversa ser sobre um assunto em primeiro plano e outro em segundo, outro em terceiro e por aí vai? E que esses assuntos podem se alternar conforme o fluxo do pensamento? Afinal, assuntos se relacionam, correto?

Então, como responder sobre que assunto pessoas conversam? Resposta: não existe uma resposta definitiva para essa pergunta pois trata-se de um sistema de informação dinâmico, que está fora do equilíbrio. Isso é um paradigma caótico. Mas como alguns seres humanos conseguem estabelecer conversas tão avançadas e, pior, conseguem se entender muito bem? Bom, essa resposta é mais fácil, apesar de misteriosa. Seres humanos são racionais. Eles construíram coisas espetaculares: foguetes, aeronaves, carros de corrida, cinema 3D, arranha-céus!

Saber lidar com esse dinamicidade toda não é tão fácil para pessoas que sejam portadoras da esquizofrenia ou transtorno bipolar. A realidade delas é muito mais dinâmica do que a de quem não porta. E tudo demais não é saudável.

Essa foi a introdução para chegarmos à parte sobre o título deste artigo. Como ser dinâmico nas respostas sem sofrer dano nas perguntas? Porque sofrer dano nas perguntas? Porque uma pergunta vinda de alguém que não saiba o que é essa doença ou que não saiba que o interlocutor seja portador, pode resultar em diversas coisas. Resumo da ópera: respostas ou comportamentos sem sentido aparente. Porque estou falando de sentido aparente? Porque a realidade dos portadores é muito mais dinâmica.

Para melhor ilustrar o que seria uma realidade dinâmica, um diálogo simples entre dois esquizofrênicos, claro, inventado por mim. Uma obra-prima da literatura quixotesca.

- Dá-me um objeto.
- O que? Estás louco?
- Não. Dá-me um objeto.
Ele entrega uma bolinha de ping-pong e então o primeiro brinca de jogar a bolinha pra cima, em um ato de dinamismo e dissolução da realidade.

Eis então uma resposta dinâmica a uma pergunta dinâmica, genérica. Mas podemos notar que a segunda frase carregou consigo um pequeno desconforto. A pergunta que faço não é como não se sentir desconfortável diante da petição aparentemente oblíqua da primeira frase, já que podemos esperar qualquer coisa da vida. A pergunta que faço é como não notar esse desconforto. Ou pelo menos como não manter esse sentimento nos instantes seguintes. É difícil.

Sem dúvidas, isso é um exercício de comportamento que tem a ver com como tem estado o psicológico  dessa pessoa nos últimos tempos, apesar de não ser esse um viés determinístico dos fatos. A realidade deles é muito líquida. Qualquer vibração pode ser sentida como também pode ser absorvida. É algo realmente fantástico sob a ótica da engenharia.

Coisa de louco, deixa isso pra depois.


Fernandes Be

​Segunda-feira, 29 de abril de 2013

Os cavalos estão rindo para mim. 

 

Bobby Fischer, em uma partida de xadrez.

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